Feminicídio em SP: Vídeo Mostra Fuga e Agressão Fatal Contra Amiga de Vítima da Marginal Tietê
A violência contra a mulher atinge mais uma vítima com desfecho trágico em São Paulo, em um caso que expõe a crueldade do feminicídio. Imagens de uma câmera de segurança registraram os últimos e desesperados momentos de Priscila Versão, de 22 anos, que tentava fugir de seu companheiro antes de ser brutalmente agredida e morta. Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, é o acusado de cometer o crime, que culminou na morte da jovem antes mesmo de chegar ao hospital.
O vídeo, que choca pela sua brutalidade, mostra Priscila correndo em busca de refúgio, escalando um portão na tentativa de escapar da fúria do agressor. Segundos depois, Deivit estaciona o carro, intercepta a vítima e a arrasta. Caída no chão, Priscila é atingida por uma série de chutes violentos, em uma cena que revela a intensidade da agressão sofrida.
Após a barbárie, foi o próprio companheiro quem levou Priscila a uma unidade de saúde, mas ela já chegou sem vida. O Guia de Encaminhamento de Cadáver, documento oficial, detalha as marcas da violência: hematomas e escoriações por todo o corpo, além de um sangramento no nariz. Um detalhe ainda mais perturbador é a menção de que as roupas da vítima apresentavam cheiro de gasolina, um indício que levanta sérias suspeitas sobre a premeditação e a extensão da agressão.
Um Elo Cruel de Violência na Zona Norte de São Paulo
O caso de Priscila Versão ganha contornos ainda mais dramáticos ao se revelar uma conexão com outra tragédia recente que abalou o país. A jovem era amiga de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu em dezembro após ter as pernas amputadas depois de ser atropelada e arrastada por um ex-ficante até a Marginal Tietê. Ambas as vítimas moravam no mesmo bairro, Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, e Priscila mantinha uma relação próxima com a irmã de Tainara.
Essa coincidência cruel entre duas mortes violentas na mesma comunidade lança luz sobre a triste realidade da violência de gênero que assola o país, mostrando como o problema se manifesta de forma capilar e devastadora nas vidas de mulheres em contextos sociais e geográficos próximos. A repetição desses eventos gera um sentimento de desamparo e urgência na busca por soluções efetivas.
O Cenário Doméstico: Abuso, Maternidade e um Desfecho Fatal
Priscila Versão era autônoma e, além de sua juventude, carregava a responsabilidade da maternidade. Ela deixou três filhos, todos frutos do relacionamento com Deivit, o acusado do crime: um de seis anos, um de quatro anos e um bebê de apenas seis meses. A interrupção abrupta de sua vida deixa um vazio irreparável e um futuro incerto para essas crianças, que terão que crescer sem a mãe, em decorrência de um ato de violência extrema.
A mãe de Priscila, Selma Alves Ribeiro da Silva, deu um testemunho doloroso sobre o relacionamento da filha, descrevendo-o como “abusivo e tóxico”. Selma relatou à TV Globo seus esforços incansáveis para tentar afastar Priscila do companheiro, após diversos episódios de agressão prévios. “Eu lutei com todas as minhas forças. Fiz o que eu pude e o que eu não pude para ela sair desse relacionamento”, desabafou, refletindo a angústia de muitas mães que veem suas filhas presas em ciclos de violência.
Em meio à dor, Selma Alves Ribeiro da Silva expressou sua profunda frustração e desilusão com o sistema de justiça, questionando a eficácia da lei para proteger as mulheres e punir os agressores. “Quantas vezes mais uma mãe vai ter que passar numa reportagem dessas? Como eu vou explicar para o meu netinho? (…) Pode até ser que ele pegue 20 ou 30 anos, mas vai ser bem reduzida a pena porque a lei do homem não funciona. Daqui a pouco ele está na rua. Aí vai ter a próxima vítima, o próximo feminicídio”, lamentou, evidenciando um temor que ressoa em muitas famílias brasileiras diante da percepção de impunidade.
A Versão do Acusado e as Contradições
O boletim de ocorrência registra que, ao chegar com Priscila já morta ao hospital, Deivit Bezerra Pereira ameaçou atear fogo ao próprio corpo. Posteriormente, ao se acalmar, ele apresentou aos policiais militares uma versão contraditória dos fatos. Deivit alegou que ele e Priscila haviam brigado em um pagode e que, após a discussão, ele teria ido a um posto de combustível, comprado gasolina com a intenção de se suicidar, mas desistiu.
Em sua narrativa aos policiais, Deivit afirmou que, ao retornar ao bar, encontrou Priscila já caída no chão, com sangramento no nariz, e então a socorreu, levando-a ao hospital. Essa versão, contudo, é frontalmente confrontada pelas imagens da câmera de segurança, que mostram a brutal agressão, e pelo laudo médico, que aponta múltiplas lesões e o cheiro de gasolina nas roupas da vítima, levantando sérias dúvidas sobre a veracidade de seu depoimento e a possibilidade de uma tentativa de encobrir o crime.
O Desafio Urgente de Combater o Feminicídio no Brasil
O brutal assassinato de Priscila Versão, assim como o de Tainara Souza Santos, são lembretes dolorosos da epidemia de feminicídio que assola o Brasil. Esses casos não são isolados; eles refletem uma estrutura de violência de gênero enraizada, onde a vida das mulheres é constantemente ameaçada, muitas vezes dentro dos próprios lares, por parceiros e ex-parceiros. A divulgação de vídeos como o que registrou os momentos finais de Priscila, embora chocante, serve para escancarar uma realidade que muitos preferem ignorar, tornando visíveis as etapas de agressão que precedem o desfecho fatal.
A urgência em combater o feminicídio exige não apenas a punição rigorosa dos agressores, mas também políticas públicas eficazes de prevenção, educação, acolhimento às vítimas e capacitação das forças de segurança e do sistema judiciário. É fundamental que a sociedade como um todo se mobilize para romper o ciclo da violência, oferecer apoio às mulheres em situação de risco e garantir que a dor e a indignação com casos como o de Priscila e Tainara se traduzam em ações concretas para a construção de um futuro mais seguro para todas.
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Fonte: https://g1.globo.com

