Investigação sobre estupro coletivo em Copacabana se expande com novas denúncias de crimes sexuais contra suspeitos

O desdobramento da investigação sobre o estupro coletivo que chocou Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, revela uma trama mais complexa e preocupante. Dois dos quatro jovens presos e o menor apreendido no caso original agora são alvo de outros dois inquéritos policiais por denúncias de crimes sexuais, indicando um possível padrão de comportamento e ampliando o alcance da apuração. A Polícia Civil do Rio, por meio da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), atua com diligência para esmiuçar essas novas acusações, que vieram à tona após a repercussão do caso principal, envolvendo uma estudante do Colégio Pedro II.

O caso de Copacabana, que levou à prisão de Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos, e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos, e à apreensão de um adolescente, ganhou contornos ainda mais graves. Os quatro adultos são réus na Justiça, enquanto o menor, cuja identidade não pode ser divulgada, está em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), respondendo por ato infracional análogo ao estupro. A atenção midiática e o clamor público gerados pelo primeiro episódio foram cruciais para que outras vítimas encontrassem coragem para formalizar suas próprias denúncias, revelando um cenário de vulnerabilidade e silêncio.

Desdobramentos da Investigação: Duas Novas Denúncias Apuram Padrão de Comportamento

A emergência dessas novas denúncias é um reflexo direto da visibilidade do caso de Copacabana. A polícia, ciente da sensibilidade e da urgência, está empenhada em aprofundar as apurações, realizando diligências e aguardando o depoimento de uma das vítimas, bem como a quebra de sigilo telemático dos investigados. Essa medida é fundamental para coletar mais provas e, eventualmente, conectar os diferentes episódios, que, embora ocorridos em momentos e locais distintos, apontam para a possível reincidência de alguns dos suspeitos.

O Caso do Apartamento no Maracanã (2023)

Um dos novos inquéritos se concentra em um crime de estupro que teria ocorrido em agosto de 2023, em um apartamento no bairro do Maracanã, Zona Norte do Rio. Mattheus Veríssimo Zoel Martins e o adolescente apreendido no caso de Copacabana são acusados de participação. A denúncia, no entanto, só foi formalizada pela mãe da vítima em 2 de março, após a ampla divulgação do estupro em Copacabana, evidenciando o impacto da repercussão na busca por justiça.

Na época dos fatos, a adolescente tinha apenas 14 anos e, hoje com 17, relatou aos investigadores ter mantido um relacionamento com o menor envolvido nos dois casos. Segundo o depoimento, ela foi convidada à casa de Mattheus e, uma vez lá, foi forçada a permanecer no cômodo, sofreu agressões como socos e chutes, sendo obrigada a manter relações sexuais com ele, o menor e uma terceira pessoa, um adulto ainda não identificado. A fala da mãe da vítima à GloboNews, de que “achavam que o prazer deles importava mais do que o trauma delas”, sintetiza a dor e a indignação diante da gravidade da situação.

A defesa do menor envolvido no caso de 2023, que tramita sob segredo de justiça, optou por não comentar os detalhes, mas informou ao g1 ter solicitado uma cópia do procedimento para reavaliar a situação. Em relação a Mattheus, a defesa não respondeu aos questionamentos sobre a denúncia do Maracanã. Contudo, sobre o caso de Copacabana, os advogados de Mattheus argumentaram que trechos parciais de vídeos foram divulgados e que mensagens trocadas via aplicativo indicariam que a menor de idade sabia da presença de outras pessoas no apartamento, além de criticar a conclusão do inquérito em apenas cinco dias, sem a oportunidade de os investigados prestarem esclarecimentos.

A Festa no Humaitá: Outra Acusação Contra um dos Suspeitos

O segundo novo inquérito apura um episódio ocorrido em outubro, em uma festa de alunos do Colégio Pedro II, no Humaitá, Zona Sul do Rio, nas proximidades da escola. Vitor Hugo Oliveira Simonin é o investigado neste caso. De acordo com a denúncia, durante uma festa junina em um salão do bairro, Vitor Hugo teria levado a vítima para o segundo andar do local e ali praticado o crime, conforme relato do delegado Ângelo Lages na ocasião do registro do caso.

A vítima, em entrevista ao Fantástico, detalhou que estava beijando Vitor Hugo quando foi coagida a praticar sexo oral. Seu relato de resistência — “eu disse que não ia fazer aquilo, muito menos ali” — e a persistência do agressor em tentar forçar sua cabeça para baixo ilustram a violência da situação. A jovem descreveu a dificuldade para se levantar e a intervenção de um segurança que a ajudou a retornar à festa. Assim como no caso do Maracanã, a percepção de ter sido vítima de um crime só se consolidou para ela após a divulgação e repercussão do estupro coletivo em Copacabana, destacando a complexidade do trauma e o tempo necessário para o reconhecimento da violência sofrida.

A Relevância da Denúncia e a Atuação das Autoridades

A série de denúncias contra os mesmos indivíduos sublinha a importância de uma investigação aprofundada e contextualizada. Casos de violência sexual, muitas vezes, permanecem ocultos devido ao medo, à vergonha e à revitimização. A coragem das vítimas em vir a público, impulsionadas pela visibilidade de um caso inicial, é crucial para romper esse ciclo de silêncio e impunidade. Tais desdobramentos permitem às autoridades identificar padrões de comportamento e, possivelmente, evitar que outros crimes ocorram.

A atuação da Polícia Civil, ao solicitar ao Colégio Pedro II os procedimentos administrativos envolvendo Vitor Hugo Simonin e o adolescente, demonstra a busca por informações que possam elucidar o histórico e o comportamento dos suspeitos dentro do ambiente escolar. A quebra de sigilo telemático, por sua vez, é uma ferramenta essencial na era digital, permitindo a análise de comunicações que podem revelar intenções, conluios ou outros elementos probatórios que reforcem as acusações ou auxiliem na compreensão dos fatos.

Este cenário ressalta a necessidade de um debate mais amplo sobre a cultura de consentimento, a responsabilidade individual e coletiva em eventos sociais, e o papel das instituições de ensino na conscientização e prevenção da violência sexual. A cidade do Rio de Janeiro, como um todo, é impactada por esses casos, que trazem à tona discussões sobre segurança, vulnerabilidade juvenil e a urgência de políticas públicas e sociais eficazes para proteger as vítimas e combater a impunidade.

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Fonte: https://g1.globo.com

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