Hernane, autor de hat-trick em último Flamengo x Remo, vive ‘saideira’ da carreira com chances de título e artilharia

O reencontro entre Flamengo e Remo pela Copa do Brasil, após quase uma década, não é apenas um duelo de times, mas um portal para memórias recentes do futebol brasileiro. Neste contexto, um nome se destaca: Hernane Brocador. Longe dos holofotes do Maracanã, mas ainda ativo nos gramados, o atacante revive o feito de um hat-trick marcante em 2013, enquanto se prepara para um capítulo final emocionante em sua carreira. Aos 39 anos, defendendo o Nacional-AM, ele se aproxima da aposentadoria com a rara oportunidade de conquistar um título e a artilharia, fechando um ciclo que o conecta eternamente a um dos maiores clubes do país.

O Hat-trick Esquecido e o Cenário do Flamengo em 2013

Para a maioria dos torcedores rubro-negros, a lembrança mais vívida de um hat-trick de Hernane remete à semifinal da Copa do Brasil de 2013, contra o Botafogo, um jogo que solidificou seu status de ídolo. Contudo, antes daquele feito apoteótico, houve outro, na mesma campanha, em um jogo que a memória coletiva talvez tenha deixado em segundo plano: Flamengo x Remo. Naquele ano, o clube da Gávea vivia o início de um processo de reestruturação financeira sob a gestão de Eduardo Bandeira de Mello, mas a fase em campo era, por vezes, conturbada. O confronto pela primeira fase da Copa do Brasil, um torneio que ainda previa a partida de volta mesmo com vitória simples fora de casa, levou os times a um segundo embate.

Após vencer por 1 a 0 no Mangueirão, o Flamengo recebeu o Remo em 17 de abril de 2013, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Foi ali que Hernane brilhou. "Lembro, com certeza. Aquele foi o primeiro da Copa do Brasil", rememora o jogador. Ele detalha a pressão da torcida local, conhecida por sua exigência, que vaiava enquanto o gol não saía. "Mas no final acabou tudo certo, consegui fazer três gols e terminou com o 'ão, ão, ão, Hernane é Seleção'", diz, com a satisfação de quem reverteu a situação e conquistou a arquibancada. Esse momento, embora menos celebrado, pavimentou o caminho para a ascensão meteórica do Brocador naquele ano, um prelúdio do que viria a ser a conquista da Copa do Brasil.

Identificação Imediata e o Carinho que Permanece

A temporada de 2013 foi emblemática para Hernane. Com 36 gols, ele construiu uma identificação instantânea com a Nação Rubro-Negra, transformando-se de reforço em ídolo. Mesmo depois de sua saída para o Al-Nassr, na Arábia Saudita, o atacante não esconde o amor pelo clube, tornando-se um torcedor fiel. Acompanha o Flamengo de perto e, quando possível, vai ao Maracanã, como fez na vitória que valeu o título brasileiro no fim de 2021.

A recepção dos fãs ainda o emociona. "O que eu mais sinto saudade é da torcida gritar meu nome", confessa. Ele descreve a surpresa dos torcedores ao vê-lo no estádio, a crescente onda de pedidos por fotos e o reconhecimento que ecoa: "Hernane, você é ídolo. Faz parte de tudo que o Flamengo está vivendo hoje porque na sua época foi onde tudo começou." Essa frase sintetiza o impacto de Hernane, que, apesar de ter atuado apenas um ano e meio efetivamente pelo clube – enfrentando lesões, atrasos salariais em 2012 e forte concorrência com nomes como Liedson e Vagner Love –, soube abraçar a oportunidade e deixou uma marca indelével na memória dos flamenguistas.

De Artilheiro a Observador: A Próxima Geração e a Transição

Nesta quinta-feira, Hernane não estará em campo, mas seus olhos estarão fixos na televisão, torcendo pelo Flamengo e, em especial, por um novo hat-trick. O desejo é para Pedro, o atual camisa 9 rubro-negro, de quem se declara fã. "Eu, particularmente, torço muito pelo Pedro. Acho ele um excelente centroavante, gosto muito do estilo de jogo dele, tem faro de gol", elogia. Ele não hesita em comparar o estilo de Pedro ao seu, reconhecendo, contudo, a habilidade superior do sucessor.

"Tem, mas o Pedro é muito mais habilidoso. Ele é um jogador que dentro da área desenrola muito bem. Jogador que finaliza bem com as duas pernas, cabeceio, tem um domínio de bola muito afiado…", analisa Hernane, que manifesta o desejo de ver Pedro na Copa do Mundo. Essa visão de ex-jogador, que observa a evolução do esporte e torce pelos talentos da nova geração, adiciona uma camada humana à sua trajetória, indicando uma provável transição para os bancos de reserva como treinador, um caminho que ele já vislumbra.

A Última Dança no Amazonas: Em Busca do Título e da Artilharia

Desde sua saída do Flamengo, Hernane Brocador acumulou passagens por 11 clubes diferentes, mantendo-se em atividade e provando sua resiliência no futebol. Seu último desafio é no Nacional-AM, onde, aos 39 anos, ele vive a "saideira" de sua carreira. E a despedida pode ser coroada com um desfecho digno de roteiro de cinema: Hernane tem a chance de ser artilheiro e campeão na final do Campeonato Amazonense, contra o Amazonas FC.

O troféu, caso conquistado, teria um sabor especial, sendo o primeiro que ele levantaria como capitão, um momento que fecharia sua carreira "com chave de ouro". Ele recorda oportunidades anteriores em que foi capitão, como no Bahia (Copa do Nordeste) e no próprio Flamengo (final da Copa do Brasil de 2013, quando Léo Moura lhe passou a faixa), mas sem ter a chance de erguer a taça. A história de Hernane Brocador, portanto, não é apenas sobre gols e títulos, mas sobre a paixão pelo futebol, a capacidade de se reinventar e a busca incessante por um final glorioso para uma carreira marcante.

A trajetória de Hernane, entre glórias passadas e um futuro promissor nos gramados e na beira do campo, é um reflexo do dinamismo do futebol brasileiro e da perenidade das grandes histórias que ele produz. Acompanhe a cobertura completa e análises aprofundadas no NOME_DO_SITE, que se dedica a trazer informações relevantes e contextualizadas sobre os mais diversos temas, do esporte à cultura, da política à economia, sempre com o compromisso da informação de qualidade para manter você bem informado.

Fonte: https://ge.globo.com

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