‘Trauma que vou carregar para sempre’: Jovem agredida pelo ex-marido em Praia Grande detalha violência
Praia Grande, no litoral de São Paulo, foi palco de mais um episódio chocante de tentativa de feminicídio que trouxe à tona a brutalidade da violência de gênero. Rayssa Pires Faria, de apenas 19 anos, luta para se recuperar física e emocionalmente após ser brutalmente agredida com uma paulada na cabeça pelo ex-marido, Wendrews Sant Ana Vieira dos Santos, de 30 anos. O ataque, ocorrido na noite da última segunda-feira (16), deixou a jovem desacordada, com um ferimento profundo na testa que exigiu seis pontos, e um trauma que, segundo ela, “vai carregar para sempre”.
O agressor, que segue foragido, invadiu a casa de Rayssa após ter sua tentativa de reaproximação recusada. A violência não poupou nem mesmo a mãe da jovem, atingida com um chute no peito. Foi ao tentar proteger a mãe que Rayssa acabou sendo o alvo da fúria do ex-companheiro. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, a vítima relatou a sequência de terror: “Fui puxar minha mãe, porque ele tinha dado uma voadora no peito dela. Foi quando eu vim correndo (para a rua) porque vi que ele estava vindo atrás de mim, e ele veio e me deu uma paulada”.
Socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Central de Praia Grande, Rayssa recebeu os primeiros atendimentos, mas as marcas da agressão vão além do ferimento na cabeça e do inchaço no olho. O temor e a insegurança se instalaram, forçando-a a deixar a própria casa, um reflexo do profundo abalo psicológico causado pelo ataque. A necessidade de abandonar o lar, um espaço que deveria ser de segurança e acolhimento, é um dos mais cruéis desdobramentos da violência doméstica, que rouba a tranquilidade e a liberdade da vítima.
Um Histórico de Agressões e o Padrão da Violência
O ataque de segunda-feira não foi um incidente isolado, mas o ápice de um histórico de violência que Rayssa já vinha enfrentando. A jovem revelou que, em novembro de 2025 (uma data que parece indicar uma previsão ou um erro de digitação no relato original, mas que, no contexto jornalístico, aponta para um evento anterior), durante uma festa infantil, o ex-marido já havia tentado agredi-la com uma garrafa quebrada. Na ocasião, Rayssa conseguiu se proteger com o braço, que carrega até hoje as marcas permanentes daquela agressão. “Ele quebrou a garrafa e veio para cima de mim para acertar minha cara. Eu coloquei o braço na frente e até hoje carrego essas marcas”, contou.
Esse padrão de comportamento, onde a violência escala e se manifesta de diferentes formas, é uma triste realidade em muitos casos de violência doméstica e feminicídio. Rayssa relatou que o comportamento do agressor mudou drasticamente após a separação, que não foi aceita por ele. A frase “No começo era tudo mil maravilhas, mas depois…” encapsula a dolorosa jornada de muitas mulheres que veem seus relacionamentos se transformarem de contos de fadas em verdadeiros pesadelos, culminando em atos de extrema violência quando a mulher decide seguir seu próprio caminho.
O Feminicídio como Crime e a Busca por Justiça
O caso de Rayssa foi registrado como tentativa de feminicídio na Central de Polícia Judiciária e encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande. O feminicídio, tipificado pela Lei nº 13.104/2015, configura o assassinato de mulheres pela simples condição de ser mulher, envolvendo violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição feminina. A tentativa, como no caso de Rayssa, é igualmente grave, pois representa a intenção de tirar a vida da mulher por razões de gênero.
A impunidade é um dos maiores desafios no combate a esses crimes. O fato de Wendrews Sant Ana Vieira dos Santos estar foragido não apenas prolonga o sofrimento e a insegurança da vítima, mas também reforça a sensação de que agressores podem escapar das consequências de seus atos. A mobilização das forças de segurança para a captura do suspeito é fundamental para garantir a justiça e, mais importante, a segurança de Rayssa e de outras mulheres que vivem sob a ameaça de agressores que não aceitam o fim de um relacionamento.
O Impacto Social e a Necessidade de Conscientização
Casos como o de Rayssa Pires Faria reverberam para além do âmbito familiar e individual, expondo uma ferida social profunda no Brasil. A violência contra a mulher é um problema estrutural que exige ações coordenadas do poder público e da sociedade civil. Delegacias especializadas, como as DDMs, e centros de apoio às vítimas são essenciais, mas a prevenção passa também pela educação e pela desconstrução de ideias machistas que perpetuam a crença de que homens têm posse sobre as mulheres.
A coragem de Rayssa ao relatar os detalhes das agressões é um passo importante para dar visibilidade à violência e encorajar outras vítimas a denunciar. Contudo, é imperativo que a sociedade e o Estado garantam a essas mulheres não apenas a punição dos agressores, mas também um amparo integral que inclua apoio psicológico, segurança e condições para reconstruir suas vidas. O “trauma que vou carregar para sempre” de Rayssa é um alerta para todos nós sobre a urgência de fortalecer as redes de proteção e combater a cultura da violência.
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Fonte: https://g1.globo.com

