Milton Céliz: Da Segunda Divisão Argentina ao ‘Carrasco’ do Botafogo na Libertadores, Trocando Camisas com Messi
A noite que deveria ser de celebração para o Botafogo, no fervor do Nilton Santos lotado, transformou-se em um pesadelo de eliminação na Pré-Libertadores de 2026. O protagonista improvável dessa reviravolta foi Milton Céliz, atacante argentino de 33 anos do Barcelona de Guayaquil (EQU). Com um gol decisivo que selou a passagem da equipe equatoriana para a fase de grupos, Céliz não apenas determinou o destino de um gigante brasileiro, mas também coroou uma trajetória pessoal de resiliência e ascensão tardia no futebol sul-americano.
A história de Céliz é um daqueles enredos que o futebol, com sua imprevisibilidade, insiste em contar. Longe dos holofotes e dos grandes contratos, ele passou a maior parte de sua carreira em divisões de acesso, lutando por reconhecimento e espaço. Seu gol contra o Botafogo, no que ele próprio descreve como o melhor momento de sua trajetória profissional, é o ápice de uma jornada que, há apenas três anos, o via em um cenário completamente diferente.
Do Anonimato do Riestra à Ribalta da Libertadores
Em 2023, Milton Céliz era uma figura central no Deportivo Riestra, um clube modesto de Buenos Aires, fundado em 1931, que até então estava imerso na segunda divisão argentina. Naquela temporada, Céliz foi peça fundamental, marcando 11 gols e liderando o time ao inédito acesso à elite do futebol nacional. Essa conquista, por si só, já era um marco para o Riestra e para a carreira do atacante, acostumado aos campos de terra batida e às poucas câmeras.
A mudança para o Barcelona de Guayaquil, um dos clubes mais tradicionais do Equador e constante participante da Libertadores, representou um salto vertiginoso. Para Céliz, essa transferência no início de 2026 não foi apenas uma nova oportunidade, mas a concretização de um sonho que parecia distante. “É um momento bonito, que o jogador sempre sonha. Joguei muito tempo nas divisões de acesso da Argentina, mas já viemos de alguns anos com o Riestra na primeira divisão, nos classificamos para a Copa Sul-Americana e agora chegou a oportunidade para que eu viesse a esse clube gigante. É um sonho cumprido para mim na parte pessoal, na minha carreira”, declarou o atacante, evidenciando a dimensão da conquista.
Um Histórico de Lutas e a Mão de Messi
A carreira de Céliz é um mosaico de passagens por clubes de pouca visibilidade. Além do Riestra, ele defendeu diversas equipes de divisões inferiores na Argentina, acumulando mais de 100 partidas na segunda liga local. Sua experiência internacional resumia-se a uma passagem pela “Série B” chilena em 2019 e uma breve estadia no Juan Aurich, do Peru. Sua única experiência anterior na Libertadores havia sido breve e discreta, em 2013, quando, aos 20 anos, entrou nos minutos finais de partidas do Arsenal de Sarandí contra São Paulo e o Atlético-MG de Ronaldinho Gaúcho.
No entanto, em meio a essa jornada de sacrifícios, Céliz vivenciou um momento mágico que poucos atletas do topo podem ostentar. Em sua estreia pelo Barcelona de Guayaquil, em um amistoso contra o Inter Miami, dos Estados Unidos, o argentino teve a chance de enfrentar Lionel Messi. Ao final do jogo, que terminou em empate por 2 a 2, Céliz não só trocou camisas com o craque, mas também teve uma breve conversa. “Foi um momento bonito, daqueles que o futebol te presenteia. Nossa conversa foi sobre tudo do futebol, do Newell's, do Riestra. Ele sabe tudo, vê todos os jogos”, revelou Céliz, sublinhando a simplicidade e o conhecimento de Messi sobre o futebol em todas as suas camadas, inclusive as mais modestas.
O Peso do Gol e as Implicações para Botafogo e Barcelona
O gol de Milton Céliz contra o Botafogo não foi apenas seu primeiro com a camisa do Barcelona; foi um gol que valeu milhões. A classificação para a fase de grupos da Libertadores representa uma injeção financeira crucial para o clube equatoriano, além de consolidar sua projeção continental. Para o Botafogo, a eliminação precoce é um golpe duro, não só esportivamente, mas também financeiramente, com a perda de premiações e receitas de bilheteria que a fase de grupos oferece. A repercussão entre a torcida e a diretoria alvinegra foi de profunda frustração, intensificando a pressão sobre o planejamento e o elenco.
A história de Céliz é um lembrete vívido da essência da Copa Libertadores: um torneio onde a paixão e a garra podem, por vezes, superar orçamentos milionários e favoritismos. O atacante, que já havia contribuído com uma assistência decisiva na vitória sobre o Argentinos Juniors na fase anterior da Pré-Libertadores, mostra-se pronto para os próximos desafios. “Pode vir qualquer um. Nos sortearam com dois clubes gigantes, Argentinos Juniors e agora essa equipe gigante que é o Botafogo. Estamos aqui para lutar”, afirmou Céliz, refletindo a confiança e a combatividade de sua equipe e a sua própria.
A saga de Milton Céliz, do gramado modesto de Buenos Aires ao gol que calou o Nilton Santos e a troca de camisas com o maior jogador do mundo, é uma narrativa que transcende o esporte. É a prova de que a persistência, o talento e a fé no próprio caminho podem levar a conquistas inimagináveis. Para o NOME_DO_SITE, é fundamental trazer essas histórias que inspiram e contextualizam o universo do futebol, revelando as camadas humanas por trás dos placares. Continue acompanhando nossas análises aprofundadas e o conteúdo de qualidade que aborda os mais diversos temas, com o compromisso de informar de maneira relevante e atual.
Fonte: https://ge.globo.com

